domingo, 8 de março de 2009

Dia Internacional da Mulher

No Dia 8 de março de 1857, as operárias de uma fábrica textil, da cidade Nova York, fizeram uma grande greve reivindicando melhores condições de trabalho, redução na carga de horario para dez horas diarias, pois muitas trabalhavam até 16 horas por dia, salários iguais aos dos homens recebiam menos de um terço pelo mesmo trabalho que o deles e um tratamento digno no seu ambiente de trabalho.

A greve foi respondida com total violência, elas foram trancadas dentro da fábrica, que foi incendiada, 129 tecelãs morreram carbonizadas.

Mas aquela data não passou em branco dentro da história. Dois anos depois, também em 8 de março, mais mulheres fizeram uma força única e começaram a obter os primeiros direitos de trabalho por intermédio de uma associação. Fato este que impulsionou o direito das mulheres dezenas de anos depois.

Em 8 de março de 1908, 15 mil mulheres se juntaram na cidade de Nova York e fizeram novo protesto reclamando por seus direitos e também protestando contra o trabalho infantil.

Em maio do mesmo ano, o Partido Socialista da América estabeleceu que o último domingo de fevereiro seria o “Dia Nacional das Mulheres”, data mantida até 1913.

A data de 8 de março, porém, ganhou força na Rússia. Em 23 de fevereiro de 1917 pelo calendário Juliano, que coincidentemente caiu em 8 de março pelo calendário gregoriano, o czar russo Nicolau II foi obrigado a deixar o governo e garantir o direito ao voto das mulheres.

Somente em 1975, 64 anos depois da convenção socialista e 30 após a sua criação, as Nações Unidas resolveram adotar a data como oficial para celebrar o Dia Internacional da Mulher.

Mulheres Brasileiras

Podemos dizer que o dia 24 de fevereiro de 1932 foi um marco na história da mulher brasileira. Nesta data foi instituído o voto feminino. As mulheres conquistavam, depois de muitos anos de reivindicações e discussões, o direito de votar e serem eleitas para cargos no executivo e legislativo.

Resolvi pesquisar e falar um pouquinho sobre algumas mulheres brasileiras de garra que conseguiram fazer a diferença onde viviam.

Maria da Penha

Um símbolo da luta contra a violência doméstica, a farmacêutica Maria da Penha Maia, que emprestou seu nome à lei federal (11.340/2006) depois de escapar de duas tentativas de assassinato, a gestação da lei que aumentou o rigor contra os agressores domésticos começou ainda em 1983, 23 anos antes de ela ser sancionada pelo presidente Lula. Naquele ano, o então marido de Maria da Penha, o professor universitário colombiano Marco Antonio Heredia, tentou matá-la duas vezes.

Na primeira oportunidade, deu um tiro nas costas da biofarmacêutica enquanto ela dormia. Como explicação, ele afirmou que o tiro havia sido disparado por um assaltante que invadira o quarto. Maria da Penha ficou paraplégica. No mesmo ano, Heredia empurrou a companheira da cadeira de rodas e tentou eletrocutá-la no chuveiro.

Após as duas tentativas de homicídio, em vez de esmorecer, Maria da Penha começou a atuar em movimentos sociais contra a violência e a impunidade. O caso, que se arrastou por mais de 20 anos nos tribunais de justiça, ganhou repercussão internacional e abriu caminho para entidades não-governamentais que pediam o endurecimento da punição contra os agressores.

A lei alterou o Código Penal, o Código de Processo Penal e a Lei de Execução Penal. Acabando com a possibilidade de o acusado se livrar da denúncia por meio do pagamento de multa ou doação de cestas básicas e eliminou amarras para a prisão dos denunciados. Além disso, aumentou de um para três anos a pena máxima de condenação.

Dorina Nowill

A paulista Dorina de Gouvêa Nowill ficou cega aos 17 anos devido a uma patologia ocular. Dona de uma inteligência brilhante, em 1936 mesmo cega decidiu continuar estudando. Entretanto, naquela época, os estudantes deficientes visuais não tinham acesso à cultura e à informação devido à falta de livros.

Por este motivo, em 1946, Dorina mais um grupo de amigas criaram a Fundação para o Livro do Cego no Brasil, organização que, em 1991, mudou de nome para Fundação Dorina Nowill devido ao seu merecido trabalho.

A professora Dorina foi a primeira aluna cega a matricular-se em São Paulo, numa escola comum. Ainda estudante, conseguiu que a escola que ela estudava implantasse o primeiro curso de especialização de professores para o Ensino de Cegos em 1945. Mais tarde viajou para os Estados Unidos patrocinada pelo governo americano para frequentar um curso de especialização na área de deficiência visual na Universidade de Columbia.

Retornando ao Brasil, dedicou-se ao trabalho da Fundação, a implantação da primeira imprensa braille de grande porte no país e foi responsável pela criação na Secretaria da Educação de São Paulo do Departamento de Educação Especial para Cegos.

Com o seu empenho, a educação para cegos se transformou em atribuição do Governo quando, em 1953, em São Paulo, e em 1961, na Capital Federal, o direito à educação ao cego foi regulamentado em Lei. No período de 1961 a 1973 dirigiu o primeiro órgão nacional de educação de cegos no Brasil, criado pelo Ministério da Educação, Cultura e Desportos.

Dorina realizou programas e projetos que implantaram serviços para cegos em diversos estados do país e eventos e campanhas para a prevenção da cegueira. Foi presidente da Fundação Dorina Nowill para Cegos desde 1951 e hoje ocupa o cargo de Presidente Emérita e Vitalícia.

Trabalhou com organizações mundiais de cegos e órgãos da ONU, representando o Brasil. Em 1979, foi eleita Presidente do Conselho Mundial dos Cegos. Em 1981, Ano Internacional da Pessoa Deficiente, Dorina falou na Assembléia Geral da ONU.

O reconhecimento mundial da atuação da professora Dorina em prol do desenvolvimento e da inclusão social de pessoas com deficiência visual é concretizado por meio de inúmeros prêmios, condecorações, títulos, comendas e outros concedidos por organizações do mundo todo, pelo governo brasileiro e por organizações brasileiras.

Chiquinha Gonzaga

Francisca Edwiges Neves Gonzaga, mais conhecida como Chiquinha Gonzaga, (Rio de Janeiro, 17 de outubro de 1847 — Rio de Janeiro, 28 de fevereiro de 1935) foi uma compositora e pianista brasileira.

Foi a primeira pianista de choro, autora da primeira marcha carnavalesca (Ô Abre Alas, 1899) e a primeira mulher a reger uma orquestra no Brasil.

A necessidade de adaptar o som do piano ao gosto popular valeu a Chiquinha Gonzaga a glória de tornar-se a primeira compositora popular do Brasil. O sucesso começou em 1877, com a polca 'Atraente'. A partir da repercussão de sua primeira composição impressa, resolveu lançar-se no teatro de variedades e revista.

Estreou compondo a trilha da opereta de costumes "A Corte na Roça", de [1885] Em 1911, estreia seu maior sucesso no teatro: a opereta Forrobodó, que chegou a 1500 apresentações seguidas após a estreia e até hoje o maior desempenho de uma peça deste gênero no Brasil.

Em 1934, aos 87 anos, escreveu sua última composição, a partitura da peça "Maria". Foi criadora da célebre partitura da opereta "A Jurity", de Viriato Correia. Viaja pela Europa entre 1902 e 1910, tornando-se especialmente conhecida em Portugal, onde, escreve músicas para diversos autores.

Chiquinha participou ainda, ativamente, da campanha abolicionista e da campanha republicana, e foi fundadora da Sociedade Brasileira de Autores Teatrais. Ao todo, compôs músicas para 77 peças teatrais, tendo sido autora de cerca de duas mil composições. em gêneros variados: valsas, polcas, tangos, lundus, maxixes, fados, quadrilhas, mazurcas, choros e serenatas.


Escolhi apenas três mulheres, mas houve varias e ainda haverá muitas que decidirão fazer a diferença, apesar de todas essas conquistas realizadas ainda há muito que fazer, uma dessas diferenças, que eu achei muito chocante, foi o fato de saber que as trabalhadoras brasileiras são as que sofrem com maior diferença salarial em relação aos homens no mundo todo, com 34% de variação entre as remunerações de ambos os gêneros, segundo um estudo publicado (04/03/2009) pela Confederação Internacional dos Sindicatos. Depois do Brasil, as maiores diferenças ocorrem na África do Sul (33%), no México (29,8%) e na Argentina (26,1%).

Portanto é claro que as conquistas e vitórias foram, e são, importantes, mas temos que continuar a nossa luta por igualdade.

Parabéns a todas nós pela data muito bem merecida!

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